Penápolis, Domingo, 17 de Janeiro de 2021
Folheie o jornal
Notícias / Cidade & Região
07/01/2021
Tamanho da letra
A-
A+

Ataque de capivaras preocupa moradores de condomínio

Da Redação

Os moradores do condomínio Belvedere, localizado às margens do rio Bonito, em Penápolis (SP), estão preocupados com os recentes ataques de capivaras contra pessoas e animais de estimação. No dia 23 de novembro do ano passado, por volta das 17h, uma mulher de 27 anos, residente em Penápolis, foi atacada por uma capivara. A vítima estava grávida de oito meses quando ocorreu o acidente. Ela estava em um rancho, pertencente a um casal de amigos, acompanhada do marido. No final da tarde, o grupo decidiu ir até o rio e a mulher estava entrando na água, com duas crianças, quando de repente foi atacada pela capivara. O marido dela estava perto e conseguiu afugentar o animal. Ela ficou gravemente ferida no braço direito e precisou ser encaminhada ao pronto-socorro municipal de Penápolis, onde recebeu atendimento médico. Foram necessários 59 pontos cirúrgicos para fechar os ferimentos causados pela capivara. Além dos ferimentos, a mulher ficou abalada emocionalmente e foi necessário realizar o parto emergencial dois dias após o ataque da capivara. O bebê (uma menina) nasceu prematuro, mas felizmente com saúde. Por outro lado, a mãe permaneceu com o trauma e ficou sem dormir nas primeiras noites, e devido ao estresse e seu estado emocional, não teve leite para amamentar a criança.

 

OUTROS CASOS

 

A reportagem também teve conhecimento de outros acidentes envolvendo capivaras. Em um dos casos, ocorrido também no mês de novembro, um grupo de amigos passeava pela orla, por volta das 19h, quando de repente uma capivara saiu da água e tentou morder um homem que estava caminhando à frente do grupo. Ele se defendeu e conseguiu espantar o animal. Em outro caso, um dos moradores precisou salvar o seu cachorro que estava sendo atacado por uma capivara. O morador disse que entrou na água rapidamente, arriscou a própria vida, mas conseguiu pegar o cachorro e afugentar a capivara. Segundo o morador, o cachorro, de porte médio, sobreviveu ao ataque, mas ficou bastante ferido.

Outra preocupação dos moradores é a doença do carrapato. “Tivemos problemas por duas vezes. Minha cachorra pegou a doença e quase morreu, conseguimos salvá-la e após seis meses ela pegou de novo. Hoje ela está bem debilitada com problemas respiratórios demandando o maior dos cuidados”, informou o dono da cachorra.

 

POLÍCIA AMBIENTAL

 

Diante dos diversos problemas relacionados às capivaras, a reportagem do Jornal Regional entrou em contato com o comandante da Polícia Ambiental da Região de Birigui, capitão Rafael Gonçalves de Oliveira. O comandante falou sobre as principais características deste animal que é considerado como o “maior roedor do mundo”. Rafael Oliveira também explicou quais as medidas que podem ser adotadas para prevenir e até mesmo evitar futuras ocorrências.

 

MEDIDAS DE PREVENÇÃO

 

De acordo com o comandante da Polícia Ambiental, uma das medidas seria a fixação de placas ao longo da margem do rio que corta o condomínio, no sentido de avisar os moradores acerca da presença do animal, considerando que esse é seu habitat. O comandante também sugere a demarcação de local específico para banhistas e aberto no sentido de se poder visualizar a presença desses animais e não se aproximar caso estejam nas imediações. Nesse local também é importante a colocação de placa de aviso.

Outra orientação importante é manter, na medida do possível e conforme a lei permita, a manutenção da vegetação (gramíneas), no sentido de diminuir a quantidade de alimento próximo das áreas frequentadas por moradores

“A pessoa não deve se aproximar do animal sob quaisquer circunstâncias. Ainda que não seja um animal agressivo, quando acuado ou quando a fêmea esteja com seus filhotes, a probabilidade de um ataque será bem maior”, orientou o comandante.

Caso o animal seja encontrado no quintal de uma residência e não consiga sair por si próprio, a pessoa deve acionar o Corpo de Bombeiros no fone 193, o qual fará a captura do animal e o entregará à Policia Ambiental para devida destinação. Nesse caso, será possível a soltura em local distante de moradores. Esse é o único caso de possível remanejamento/retirada do animal do local. Em havendo novas ocorrências, como mordidas, deve-se se buscar socorro médico o mais rápido possível, considerando outras doenças e complicações ocasionadas pela mordida do animal.

 

CRIME AMBIENTAL

 

O comandante da Polícia Ambiental de Birigui explicou que a caça bem como os maus-tratos deste animal são crimes, considerando tratar-se de animal silvestre protegido pela Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) em seus art. 29 e 32 respectivamente, além da existência de multa na esfera administrativa pelas mesmas condutas.

 

MAIOR ROEDOR DO MUNDO

 

As capivaras são mamíferos herbívoros que se destacam por levarem o título de maior roedor do mundo. Esses animais apresentam um corpo robusto e musculoso coberto por pelos marrom-escuros e podem atingir cerca de 1,3 m de comprimento e 60 cm de altura. Seu peso varia, e esses mamíferos apresentam, em média, de 20 kg a 80 kg, ou seja, são animais que podem ter tamanho considerável, de acordo com a quantidade de alimento disponível.

 

ANIMAIS CALMOS E MANSOS

 

Embora existam casos de ataques a outros animais e ao próprio ser humano, na grande maioria das vezes as capivaras são animais calmos e mansos, nativos da América do Sul e existentes em grande quantidade no Estado de São Paulo. Vivem em locais próximos ao ambiente aquático, pois precisam da água para várias de suas atividades, como esconder de predadores e reproduzir-se. Dizemos que esse mamífero possui um hábito semiaquático.

 

ALIMENTAÇÃO

 

As capivaras pastam principalmente ao entardecer. Alimentam-se de gramíneas e até mesmo de plantas aquáticas. Capivaras adultas podem comer mais de 5 kg de comida, dependendo de seu tamanho e seus dentes incisivos variam entre 5 cm a 6 cm quando adultas.

 

GRUPOS

 

As capivaras vivem em grupos que variam de tamanho e apresentam organização social. A quantidade de capivaras nos grupos varia de 2 a 30 animais, apresentando um macho dominante, que geralmente será o maior animal do grupo encontrado. Além do macho dominante, observa-se a presença de várias fêmeas e de indivíduos mais jovens.

 

FEBRE MACULOSA

 

As capivaras apresentam relação com uma doença chamada febre maculosa, que pode levar à morte. A relação está no fato de que as capivaras, algumas vezes, apresentam um carrapato chamado carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), que é reservatório da bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa. O homem, ao ser picado por um carrapato contaminado, pode desenvolver a doença.

 

 






Compartilhe com seus amigos no Facebook

Comentários publicados

Os comentários não representam a opinião do jornal. A responsabilidade é do autor da mensagem.


Atendimento:
18 3652-5511 / 3652-5679

Redação e Gráfica:
Av. Marginal Maria Chica, nº 1830 - CEP 16300-000 - Penápolis-SP

© 2021 Jornal Regional. É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização do Jornal Regional.