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Meio Ambiente

15/03/2014
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O ELO ENTRE JUSTIÇA SOCIAL E SUSTENTABILIDADE

Sabemos que o conceito de sustentabilidade vem passando por transformações no decorrer dos tempos desde que surgiu pela primeira vez, mas com certeza a dimensão que devemos mais nos preocupar é a social voltada a proteção ao meio que vivemos como um todo. Abranger o enfoque social implica em caminhar contra interesses já consolidados, que são ofensivos à própria noção de humanidade cidadã que começamos a construir. Embora o senso comum nos confirme a cada dia, a comunidade científica não é coesa em torno das causas das mudanças climáticas que nos assolam. Baseado nesta indecisão científica que aumenta a necessidade de se introduzir as dimensões jurídicas e sociais no debate ambiental, a partir da compreensão de que o conceito jurídico de cidadania global pressupõe que sejam equacionados os desequilíbrios sociais existentes atualmente. Em outras palavras, mais assertivas: não há como se falar em equilíbrio ambiental no planeta sem antes debatermos os meios de superar as desigualdades sociais existentes no mundo. Estudos demonstram que as populações dos países pobres e de governos instáveis ou com instituições menos sólidas sofrem maiores danos — mais profundos e permanentes — resultantes de desastres climáticos do que as populações de países desenvolvidos. A combinação de instituições frágeis, desigualdades sociais e baixo nível de desenvolvimento ampliam as consequências das calamidades. Ora, se a ação do homem é relevante para acelerar os processos de aquecimento global e os desequilíbrios ambientais e se as nações menos desenvolvidas sofrem acentuadamente mais com esse quadro, é preciso atuar em duas frentes de maneira concomitante: trabalhar no desenvolvimento tecnológico e social para mitigar os efeitos da ação do homem sobre o meio ambiente; e, de forma especial e mais urgente, alterar os padrões de consumo no mundo. Não podemos mais travar o debate ecológico sem absorver o inescapável prisma social. Da mesma forma, pensar as políticas ambientais doravante é ter de modificar os níveis de consumo do mundo globalizado. Buscar mecanismos de frear a degradação ambiental sem avançar sobre como iremos redistribuir a renda e o consumo mundiais é refletir sobre parte do problema, produzindo uma ideia de sustentabilidade injusta e não cidadã. Porque não podemos mais, como humanidade cidadã, permitir que o consumo desenfreado nos países desenvolvidos se dê à custa da miséria dos subdesenvolvidos. Devemos reter os padrões de consumo global, redistribuindo pelo globo seus patamares, através de políticas compensatórias do primeiro mundo ao terceiro, com menor agressividade ao meio ambiente. Sustentabilidade real não há sem justiça social global.

Obrigado pela atenção e até a próxima semana!





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