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Eu Mesma

30/10/2018
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POR UM MUNDO MELHOR

Que a nossa sociedade precisa repensar não resta dúvidas, mas as propostas que temos que fazer para o social precisam, antes de tudo, serem refletidas e incorporadas por cada indivíduo em particular. Falamos em inclusão, no respeito à diversidade, em tolerância pelas pessoas com deficiência, mas o fato é que todos nós, em um momento ou outro, somos deficientes em alguma área.

Nós precisamos aprender a tolerar também aquele vizinho chato ou o atendente do supermercado que é meio lento. E quem nunca fica impaciente com o motorista da frente que insiste em andar devagar e até mesmo com a amiga que adora mandar mensagens adocicadas diariamente pela rede social?

Uma grande revolução precisa acontecer no nível subjetivo para que cada elemento somado a outro faça uma sociedade realmente tolerante e inclusiva.

As pessoas com Autismo nos ensinam muito neste sentido. Autismo, vem do radical grego Authós, que pode ser traduzido como “em si mesmo”. Isto não significa que estão presos em um mundo próprio ou que estão fechados em si mesmos, significa que estes indivíduos têm uma dificuldade muito grande em entender o mundo pela ótica da outra pessoa. Conforme o grau de comprometimento, algumas destas pessoas são mesmo incapazes de entender que as atitudes dos outros se baseiam em seu conjunto pessoal de crenças e valores.

Desta forma, não regulam os seus impulsos pelo que o outro vai pensar, nem entendem que uma pessoa possa agir por sua própria vontade, mas pelo que mandam as normas e etiquetas sociais. Nós que tivemos um desenvolvimento típico, fomos nos ajustando, perdendo muito da nossa originalidade, mas vez ou outra os impulsos revelam o que somos de verdade.

E como todos nós em certo grau temos esta cegueira mental, muitas vezes deixamos de respeitar e acolher o outro no seu jeito de ser, a não ser que isto nos seja conveniente e confortável. No fundo, será que não gostaríamos, sim, de uniformizar as pessoas em um padrão de conduta única?

Ao refletir sobre isso, que consigamos realmente aceitar a originalidade da pessoa com Autismo, as nossas dificuldades pessoais, a lentidão de quem tem mais idade, a limitação de quem tem uma deficiência qualquer e também o personalismo do colega, a vaidade exagerada da pessoa ao lado... somente depois disso faz sentido esperarmos por um mundo melhor.

 

Letícia Sader – etraplégica, formada em direito e funcionária pública estadual





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