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28/05/2019
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IMPACTOS EM BENEFÍCIO DA INCLUSÃO

 

Muitos setores têm sofrido as duras consequências da atual crise econômica e os investimentos para acessibilidade, inclusão e gestão da diversidade não estão fora desse pacote. Se antes já era difícil levantar a bandeira da inclusão dentro das empresas, agora ficou ainda mais complicado. Mas nem tudo está perdido. E é com esse olhar otimista e de oportunidade que  trago aqui um assunto ainda desconhecido por muitos  no Brasil: as adaptações razoáveis.

Se você pesquisar o termo no Google, certamente ficará decepcionado com o pequeno retorno que irá obter, mas se buscar o termo correspondente em inglês “reasonable accommodation”, verá que tem muita coisa bacana por aí.

Mas é preciso cautela em um país onde, infelizmente, a política do jeitinho reina. Quando falamos em algo que é razoável, quase que de imediato imaginamos algo mal feito, de baixa qualidade, bem mais ou menos. E, na verdade, não é bem isso o que termo quer dizer.

Adaptações razoáveis são modificações e ajustes necessários que não acarretem ônus desproporcional e indevido quando requeridos, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência possa exercer todos os direitos e liberdades fundamentais. São pequenos investimentos que podem gerar grandes impactos positivos.

São ajustes a serem implementados nos processos seletivos, nos ambientes, na reestruturação de um cargo e suas funções ou na disponibilização de recursos de apoio, sempre que necessário. Podem ser adaptações para tornar o ambiente de trabalho acessível para cadeirantes, para facilitar a leitura de documentos para uma pessoa cega ou para traduzir uma reunião para uma pessoa surda.

E por que é oportuno falar sobre adaptações razoáveis agora em tempo de crise? A resposta é bastante simples: porque falamos a língua das empresas, de obter o maior retorno possível pelo menor custo.

Ao lidar com as adaptações que precisam ser feitas e ver o resultado imediato no desempenho dos trabalhadores e na produtividade, a empresa aprimora o exercício de buscar soluções práticas para os desafios e barreiras, muitas vezes criados pela própria organização em sua cultura, normas ou hábitos. E, com isso, todos ganham.

O dever de providenciar adaptações razoáveis sempre que não for possível implementar o desenho universal (conceito de acessibilidade plena) é um requisito legal, previsto pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Mas devem ser providenciadas com a compreensão de que todos se beneficiam com isso.

Durante muitos anos as empresas desperdiçaram diversas oportunidades de contratar profissionais com deficiência, simplesmente por acharem que gastariam muito dinheiro para adequações. Já é tempo de superar o discurso de que promover acessibilidade é complicado, caro e inviável.

Continuamos na luta por um mundo 100% acessível para todos e a possibilidade de adaptações não segue no sentido oposto desse objetivo, mas tem o potencial de fortalecer o processo. A inclusão tem seus desafios, mas não é nenhum bicho de sete cabeças. Dizer que não consegue e ponto é muito fácil e confortável. Isso precisa mudar e a hora é agora.

 

* Letícia Sader – tetraplégica, formada em direito e funcionária pública estadual.





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