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26/03/2019
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DEFICIÊNCIA E FAMÍLIA

A deficiência é um fenômeno que, embora se manifeste individualmente, é construído socialmente, pois em cada contexto social e histórico sua representação adquire características diferentes. O impacto da deficiência, quando atinge uma pessoa, atinge também todos os membros da família. Os sentimentos mais comuns diante da deficiência são a negação e a revolta. E a família sofre igualmente do estigma de ter um filho com deficiência.

A percepção pessoal de ser uma pessoa com deficiência pode levar o indivíduo a sentimentos de desvalia e a sintomas depressivos. Em outros casos, a aceitação da deficiência pode levar o indivíduo a fazer da adversidade algo que lhe estimule o desenvolvimento de atitudes positivas e otimistas necessárias para um enfrentamento saudável diante das mudanças de vida e das adaptações necessárias.

Dizem que as pessoas que adquirem uma deficiência abruptamente passam por três estágios: o primeiro é marcado pela passagem do estado de saúde para doença, provocando a negação e a busca de outros médicos e diagnósticos. O segundo estágio ocorre quando o sujeito entende o diagnóstico e reconhece as limitações impostas pela deficiência, mas é tomado por sentimentos de raiva expressa pela agressão às pessoas e de negação, intensificando os sentimentos de culpa, ressentimento, desespero, tristeza e depressão. O último estágio é um período de reabilitação, quando o sujeito toma decisões e tenta viver com a maior autonomia possível uma vida satisfatória, apesar da deficiência.

Por isso a família tem um papel tão importante, pois vai mediar o modo como as pessoas com deficiência vão enfrentar os desafios relatados nos estágios diante da nova situação. As relações dos membros familiares com a pessoa com deficiência podem ser marcadas pelo oferecimento de cuidado, afeto, proteção e auxílio, entretanto podem também prejudicar sua reintegração social se prevalecer a superproteção e atitudes que estimulem a relação dependência.

Portanto, embora seja comum a restrição das relações de amizade apenas às pessoas próximas ou familiares, é preciso incentivar a ampliação das relações sociais de amizade após a deficiência, estimulando a pessoa com deficiência para que ela possa desenvolver o máximo de independência reintegração pessoal e evitar situações de isolamento e superproteção.

 

Letícia Sader – tetraplégica, formada em direito e funcionária pública estadual





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