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23/10/2018
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A DEFICIÊNCIA MORAL

A condição de “deficiente” é apontada em todas as situações como algo anormal, fora do comum, excepcional. Uma variedade de comportamentos exprime negação, marginalização, superproteção e outros sentimentos confusos e contraditórios mesclados de ambivalência, decepção, culpa, rejeição. Enfim, a presença da pessoa com deficiência provoca reações emocionais cujas proporções são surpreendentes.

A deficiência ocasiona efeitos importantes no desenvolvimento da personalidade e do processo de adaptação social do indivíduo. O sentido da deficiência na vida de uma pessoa é o produto do entrelaçamento de sua história pessoal com o meio social onde vive. Sobre o indivíduo considerado deficiente incidirá o estigma da “incapacidade”, da “invalidez”. Sobre ele recairá o peso da menos valia e da opressão.

A razão do preconceito é que a deficiência física incomoda, aparece, constrange, enquanto o deficiente de espírito, o deficiente moral, na maioria dos casos, possui excelente aparência física, é articulado e até desempenha altos cargos.

O preconceito para com o deficiente é algo inaceitável em uma época na qual luta-se, por exemplo, pela diminuição da desigualdade social e pelos direitos de várias outras minorias. Afinal, uma pessoa com deficiência física é alguém plenamente capaz. O apoio e o respeito daqueles que estão em sua volta reforçam a confiança do deficiente em si mesmo.

Apesar de todos os obstáculos, são muitos os deficientes que se destacam em algumas áreas e nos mostram que são tão ou até mais capazes do que pessoas fisicamente saudáveis. Um bom exemplo está no esporte.

As pessoas com deficiências não precisam de pena ou de compaixão, mas sim de estímulo, demonstração de apoio e de luta conjunta pela democratização das oportunidades de acesso para além do âmbito dos jogos, para que tenham acesso ao bem-estar social, ao respeito, à cidadania e às atividades de lazer ativo. Portanto, a sociedade atual precisa investir de fato em infra-estrutura e no que diz respeito à reflexão de novos valores humanos.

Trabalhar, praticar esportes, sair com amigos, dirigir, namorar, se divertir também fazem parte do dia-a-dia de pessoas que não aceitam atrelar seus horizontes, uma vez que a reabilitação é uma questão de desenvolver habilidade e potenciais já existentes na pessoa.

Portanto, o limite só existe na cabeça das outras pessoas. Cada vez mais, torna-se mais evidente que a preparação psicológica e a maturidade emocional passam a ser um dos principais fatores diferenciais quanto à superação. Pois a vontade favorece a garra!

Dessa maneira podemos explicar quando nos deparamos com físicos perfeitos dotados de mentes deficientes, de espíritos inválidos e quando localizamos mentes luminosas, espíritos brilhantes em corpos físicos mutilados, lesionados...

 

Letícia Sader – tetraplégica, formada em direito e funcionária pública estadual





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