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19/02/2019
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COMO ENTENDER E RESPEITAR A PESSOA COM DEFICIÊNCIA

 

            

            Conforme vou conhecendo novas pessoas e me relacionando com elas percebo um certo receio e muitos cuidados por parte destas pessoas em lidar com alguém que tem uma deficiência. Por isso, hoje vou destacar alguns preceitos que levam à mudança de paradigmas. Assim, quando uma pessoa com deficiência começar a fazer parte da sua vida, do seu ambiente familiar ou do seu trabalho, você já estará pronto para recebê-la e aceitar a diversidade como fundamento para a convivência social.

1. Lembre-se de que as pessoas com deficiência são indivíduos próprios. Elas não pertencem a você, à família, aos médicos ou à sociedade.

2. Cada pessoa com deficiência é diferente das outras e que, independente do rótulo que lhe seja imposto para a conveniência de outras pessoas, ela ainda assim é uma pessoa “única”. Não existem duas crianças com síndrome de Down que sejam iguais, ou dois adultos com deficiência auditiva que respondam ou reajam da mesma forma. Cada caso é um caso.

3. Pessoas com deficiência têm o mesmo direito à auto-realização que quaisquer outras pessoas, no seu ritmo próprio, à sua maneira e por seus próprios meios. Somente elas podem superar suas dificuldades e encontrar a si mesmas. 

4. As pessoas com deficiência têm a mesma necessidade que você de amar e ser amado, de aprender, partilhar, crescer e experimentar, no mesmo mundo em que você vive. Elas não têm um mundo separado. 

5. As pessoas com deficiência têm o mesmo direito que você de fraquejar, falhar, sofrer, desacreditar, chorar, se desesperar. Protegê-las dessas experiências é evitar que vivam.

6. Somente as pessoas com deficiência podem lhe dizer o que é possível para elas. Você, que as ama, deve ser observador atento e sintonizado.

7. As pessoas com deficiência devem agir por conta própria. É possível oferecer-lhes alternativas, possibilidades e instrumentos necessários, mas somente elas podem colocá-los em ação. Você pode apenas permanecer firme e estar presente para reforçar, encorajar, ter esperanças e ajudar quando possível.

8. As pessoas com deficiência, assim como todos, estão preparadas para viver como desejarem. Elas também devem decidir se desejam viver em paz, com amor e alegria, como são e com o que têm ou deixar-se ficar numa lamentação profunda esperando a morte. 

9. As pessoas com deficiência, independente do grau, têm um potencial ilimitado para se tornar o que elas desejam ser e não o que nós queremos que sejam. 

10. As pessoas com deficiência devem encontrar sua própria maneira de fazer as coisas – impor-lhes padrões é irreal e até mesmo destrutivo. Existem muitas maneiras de se amarrar os sapatos, beber em um copo, chegar até o ponto do ônibus. Há muitas formas de se aprender e se adaptar. Elas devem encontrar a forma que melhor lhes convém.

11. As pessoas com deficiência também precisam do mundo e das outras pessoas para que possam aprender. O aprendizado não acontece apenas no ambiente protetor do lar ou em uma sala de aula, como muitas pessoas acreditam. O mundo é uma escola e todas as pessoas são professores. Não existem experiências insignificantes.

12. Lembre-se de que todas as pessoas com deficiência têm direito à honestidade em relação a si mesmas, a você e a sua condição. Ser desonesto com elas é o pior serviço que alguém pode lhes prestar. A honestidade constitui a única base sólida sobre a qual qualquer tipo de crescimento pode ocorrer. E, acima de tudo, lembre-se de que elas necessitam do que há de melhor em você. A fim de que possam ser elas mesmas e que possam crescer, libertar-se, aprender, modificar-se, desenvolver-se e experimentar, você deve ter essas capacidades. Você só pode ensinar aquilo que sabe. Se você é aberto ao crescimento, ao aprendizado, às mudanças, ao desenvolvimento e às novas experiências, permitirá que elas também o sejam.

            

* Letícia Sader – tetraplégica, formada em direito e funcionária pública estadual.





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