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Eu Mesma

17/04/2018
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VAI ENCARAR?

Vivemos a era da pressa. Ninguém tem tempo para nada, e todos se acham muito importantes por viver esbaforidos. Portanto, parar um pouco que seja para dar uma atenção especial a alguém com qualquer tipo de deficiência é, no mínimo, um incômodo que as pessoas querem evitar.

Assim, egoisticamente, elas se escondem por trás da noção de que quem tem de cuidar dessas pessoas e se preocupar com esse assunto é o Estado e suas famílias. E, naturalmente, também se escudam no pensamento de que, como não são especialistas, não podem ajudar muito.

Pois é aí que reside um dos maiores enganos e consequente prejuízo desse tipo de raciocínio. Ao criar uma barreira (por desconhecer o assunto, por não saber como se comportar, por se sentir invadindo, por medo do desconhecido ou mesmo por egoísmo), o sujeito deixa de se enriquecer com um universo tão ou mais vasto que o conhecido: o da diversidade e, incrivelmente, também o da adversidade.

O enriquecimento que a troca de informações e experiências entre pessoas com qualquer tipo de deficiência pode trazer é impressionante. Os limites são permanentemente testados e, muitas vezes, ultrapassados e modificados, conforme a situação. O próprio significado da palavra limite adquire outros contornos.

E você pode fazer toda a diferença. Todo mundo tem um papel a desempenhar em seu núcleo social, e não é preciso ser político ou autoridade para exercer influência. Mas para isso é fundamental que se esteja aberto para a informação. Procurar a informação. Ter um olhar diferente de percepção: a inclusiva.

O preconceito e a preguiça são fatores decisivos e terrivelmente nocivos que dificultam muito o processo de inclusão.

É verdade que a inclusão vem sendo feita de maneira muito mais lenta que o desejado. Hoje, com mais informações e novas tecnologias ao alcance de todos, que facilitam a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, o quadro está ligeiramente melhor. Mas ainda há muito por fazer.

Que o Estado tem um papel essencial no sentido de aplicar políticas inclusivas, melhorar a acessibilidade de todo e qualquer espaço público, não resta a menor dúvida. E, aos poucos, algumas cidades, estados, políticos e administradores públicos começam a implementar tais ações, porém só o farão de fato a partir do momento em que você, como cidadão, cobrar. E cobrar muito.

No entanto, para cobrar é preciso incorporar a atitude e se importar de verdade. Brigar pelo outro e não apenas quando a coisa pegar pro seu lado.

Portanto, acredito que há não apenas a necessidade de um mergulho mais fundo no universo das pessoas com deficiência, mas também uma urgência maior em começar a pensar de maneira mais inclusiva. E aplicar conceitos.

Para isso, é importante chacoalhar a preguiça, o medo do novo e do desconhecido e o constrangimento que faz com que grande parte das pessoas acabe por ficar paralisada, criando assim uma barreira inconsciente que as impede de se relacionar melhor com um universo tão amplo quanto importante.

E, então, vai encarar?

 

Letícia Sader – 35 anos, é tetraplégica, formada em Direito e funcionária pública estadual





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