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04/12/2018
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DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem tido a atenção de olhar para os problemas sociais do mundo, estabelecendo datas comemorativas internacionais com o objetivo de alertar a população e governantes sobre a importância de se criar projetos que garantam a qualidade de vida dos homens. Dentro dessas perspectivas, o dia 03 de dezembro foi estabelecido como o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, durante a realização de uma Assembleia Geral da ONU, no ano de 1992.

A intenção da ONU foi gerar maior conscientização e compromisso governamental, através da elaboração de projetos que facilitem a rotina diária dessas pessoas, podendo receber as mesmas condições de vida.

Se imaginarmos as dificuldades que os deficientes encontram podemos perceber o quanto ficam impossibilitados de fazer as coisas mais simples, não por suas limitações, mas pela ausência de condições. O fator limitador é o meio em que a pessoa está inserida, as barreiras e limitações nos espaços públicos e privados, nos meios de transporte e nos meios de comunicação, e não o limite individual da pessoa com deficiência.

Desconhecimento, preconceito e falta de vontade política impedem o pleno desenvolvimento do potencial dessas pessoas e sua autonomia. Assim, muitas ficam confinadas ao espaço doméstico, sem acesso à educação e saúde, e quase sempre a cargo de uma mulher, a quem o papel de cuidadora ainda é tradicionalmente atribuído.

Os cadeirantes, por exemplo, não encontram meios de circular pelas ruas das cidades por falta de rampas de acesso às calçadas, dificultando sua locomoção. Além disso, nem todo meio de transporte urbano é adaptado e adequado, o que impede que se desloquem com segurança.

Muitas limitações também são encontradas pelos deficientes visuais. Existe uma linguagem universal para os mesmos, mas esta não é adotada. Como não aparece em quase nada, também restringe a vida dos cegos. Imagina uma pessoa viver sem poder escolher um produto de supermercado ou um prato num restaurante? É muito ruim não ter acesso ao mundo, dependendo o tempo todo de informações de outras pessoas. Será que eles se sentem livres?

Crianças com deficiência são aceitas com restrições e desconfiança até nas melhores escolas particulares. Há casos de pais e mães de alunos sem deficiência que não aceitam bem a presença dessas crianças. Ou quando aceitam, não passa disso: aceitação. Raramente há um real acolhimento.

O mercado de trabalho também tem dificultado a plena autonomia dessa população. Apesar da Lei de Inclusão Social, que prevê a contratação de pessoas com deficiência, e do constante monitoramento e autuação por parte do Ministério do Trabalho, as empresas alegam que há dificuldade em encontrar profissionais qualificados, o que infelizmente é verdade, em virtude do acesso deficiente dessa população à educação básica, profissionalizante e superior, mas é verdade também que muitas empresas não estão dispostas a investir nas adaptações necessárias para receber essas pessoas.

O dia 03 de dezembro deve servir para lembrar que as questões que envolvem a situação das pessoas com deficiência estão longe de serem resolvidas. Além da falta de políticas públicas e da aplicação insatisfatória das que já existem, a pessoa com deficiência enfrenta diversos estigmas na vida em sociedade.

 

Letícia Sader – 34 anos, é tetraplégica, formada em direito e funcionária pública estadual. 





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